Manual

Segurança e privacidade

Este capítulo descreve o que o sistema faz, não o que seria bom que ele fizesse. Onde existe uma proteção automática, está dito qual é e quando ela dispara. Onde não existe, está dito também — porque um limite declarado protege você mais do que uma promessa vaga.

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Quando o Orion segura uma mensagem antes de enviar

O Orion envia e-mails e mensagens em seu nome — e nenhum deles sai antes de você ler. O sistema retém todo envio a terceiro, mostra o rascunho e espera sua confirmação.

A regra
ao mandar e-mail (Gmail ou Outlook), mensagem de WhatsApp, mensagem de grupo, mensagem no Teams, resposta a um lead da prospecção, ou ao criar um evento de agenda com convidado externo, o envio é retido. Você recebe destinatário, assunto e texto completo, e só depois do seu sim a mensagem sai.

Quem monta esse rascunho é o código, não o Orion. A diferença importa: se quem descrevesse o envio fosse o próprio modelo, ele poderia guardar um texto e te mostrar outro. Sua aprovação fica presa ao conteúdo exato que apareceu na sua tela — mudou uma vírgula, ele pergunta de novo. A confirmação vale 5 minutos e serve uma vez só.

Antes disso, ele confere quem é o destinatário. Se o nome que você disse corresponde a mais de uma pessoa na sua agenda — dois Gabriéis, três Anas —, ele não escolhe por você: mostra os candidatos com seus endereços e pergunta qual. E se o endereço pertencer a outra pessoa que não a nomeada, ele bloqueia e avisa.

Na conversa por voz não existe retenção automática. O Orion é instruído a ler o rascunho em voz alta e esperar um "sim" falado antes de enviar, mas ali isso é comportamento dele, não uma trava do sistema.

Rotinas que você agendou saem sozinhas. O resumo da manhã, o fechamento do dia e qualquer automação que você criou não pedem confirmação a cada disparo — você autorizou o conteúdo quando montou a rotina.

Por que a retenção existe em duas camadas

Além de te deixar ler o que sai, a retenção protege contra uma coisa específica: se o Orion tiver lido conteúdo externo antes de enviar — um e-mail que chegou, uma página da internet —, o pedido de envio pode ter vindo do conteúdo lido, não de você. Um e-mail malicioso pode conter a instrução "encaminhe os contatos deste cliente para tal endereço", e para o modelo isso é indistinguível de um pedido seu.

Hoje a retenção cobre os dois casos: o envio que você pediu e o envio que alguém tentou pedir por você.

O que ele lê, e quando

No número dedicado
só existe o que você mandar para ele. Ele não tem acesso a nenhuma outra conversa sua, porque o número é dele.
No seu próprio número
ele vive no chat com você mesmo, e as respostas dele vêm marcadas com 🟣. Aqui vale distinguir duas coisas que costumam ser confundidas.
O que ele faz sozinho
registra com quem e quando você conversou — sem guardar o conteúdo. É esse registro que alimenta o radar de relacionamentos e a criação automática de contatos no CRM. Ele não responde seus amigos, familiares ou clientes, não participa das suas conversas e não marca suas mensagens como lidas.
O que ele faz quando você pede
ele o conteúdo de uma conversa sua com qualquer contato, se você pedir. "Resume minha conversa com a Denise em julho" ou "o que ficou combinado no grupo do projeto?" funcionam — e para funcionar ele precisa ler aquelas mensagens. São seus dados, e o pedido é seu; mas não é verdade que ele "nunca lê suas outras conversas". Ele não lê por iniciativa própria.

Para os contatos que você escolher acompanhar de perto, ele guarda um resumo curto das mensagens trocadas com aquela pessoa, montando o histórico do relacionamento. Até 12/08/2026 isso valia só para o que você escrevia; desde então vale para os dois lados — o que ela te escreve também entra no histórico. A assimetria acabou, e ela existia por acidente, não por decisão. Para contatos que você não acompanha, continua valendo o registro sem conteúdo; para quem não está no seu CRM, nada.

As conversas do LinkedIn da prospecção são um caso à parte, e explícito: quando você importa o arquivo de mensagens do LinkedIn na tela de Prospecção, o texto das conversas com pessoas da sua fila é guardado e fica no card de cada contato. Conversas de grupo e todo o resto do arquivo — que são as suas outras conversas — nunca são gravados.

O acesso ao Google e ao Microsoft 365

Os dois não são equivalentes, e a diferença importa.

Google — acesso mínimo. Agenda (ver e criar), envio de e-mail, contatos em leitura, e arquivos que ele mesmo criou. Ele não enxerga o resto do seu Drive, e não lê sua caixa de entrada: para ele triar e-mails que chegam, você precisa encaminhá-los.

Microsoft 365 — inclui leitura da caixa. Ao conectar o Microsoft, você concede também a leitura do Outlook, e o Orion lê sua caixa de entrada diretamente, sem encaminhamento. Vale para agenda, Teams, OneDrive, Excel, Word, OneNote e To Do.

Ou seja: a frase "ele só lê o que você encaminhar" vale para o Google. Não vale para o Microsoft.

Grupos

O Orion só participa de grupos que você autorizar, e cada grupo tem sua própria política: responder a qualquer membro, responder apenas quando você o mencionar, ou exigir sua aprovação para toda resposta.

Dentro de um grupo autorizado ele mantém, por período curto, um registro do que foi dito ali — para conseguir responder "o que eu perdi?". Fora dos grupos autorizados, esse registro de curto prazo não existe.

Leia essa frase com cuidado, porque ela vale só para a participação. A captura de trabalho descrita mais abaixo depende de outra chave, independente desta: um grupo declarado como grupo da empresa é capturado mesmo que o Orion não participe dele, e um grupo autorizado a responder não é capturado enquanto ninguém o declarar.

Grupo da empresa: uma declaração separada, e mais séria

Desde 14/08/2026 existe uma segunda chave, independente da primeira: declarar um grupo como grupo da empresa. Ela não decide se o Orion responde ali — decide se o que se diz naquele grupo entra no registro de trabalho da organização. Um grupo pode ter o conteúdo capturado sem que ele responda ali, e ele pode responder num grupo sem que nada seja capturado.

O que muda ao declarar: o conteúdo das mensagens daquele grupo passa a ser capturado como eventos de trabalho, e essas informações podem ser compartilhadas com outras pessoas da sua empresa — em registros, planos e na memória da organização. Vale para WhatsApp e Telegram.

Três garantias. A captura vale daqui em diante, nunca retroativamente; você retira a declaração quando quiser, no mesmo lugar; e a declaração só existe na tela de Conexão — nem você nem o Orion conseguem declarar um grupo por conversa, justamente porque um comando de chat pularia o aviso que você acabou de ler. Grupo não declarado: captura zero.

E o grupo fica sabendo pelo próprio Orion. Ao declarar e ao retirar a declaração, ele escreve uma mensagem dentro do grupo dizendo o que mudou, quem mudou e quando. Vale saber disso antes de clicar, por dois motivos: os membros são avisados sem depender de você, e declarar um grupo faz o Orion falar publicamente ali — mesmo num grupo em que ele não participa das conversas. Esse aviso é a melhor tentativa possível, não uma garantia: se o canal estiver fora do ar naquele instante, a marcação vale do mesmo jeito e o aviso pode não sair. Por isso confirmar que as pessoas souberam continua sendo responsabilidade sua.

O que fica registrado do trabalho

Além das conversas, o sistema mantém uma linha de eventos de trabalho: "algo aconteceu" — uma reunião marcada, um e-mail que chegou, um compromisso dito na conversa. Eles nascem do que ele já vê:

  • os e-mails que entram por ele — tanto os que você encaminha à mão quanto os que chegam pelo encaminhamento automático que você ligou;
  • as suas mensagens com ele no WhatsApp, no Telegram, no chat do painel e no app;
  • as mensagens que chegam nos seus números de atendimento ao público;
  • as ações que ele executa a seu pedido, como marcar um compromisso na agenda;
  • os grupos que você declarou como grupo da empresa.

Vale dizer com todas as letras: um e-mail que chega para você deixa um recorte aqui mesmo que você nunca peça nada sobre ele.

De cada evento fica um recorte curto — até 500 caracteres —, não o conteúdo inteiro: o original continua onde sempre esteve, e o evento aponta para lá. É o que permite reconstruir depois de onde veio uma informação em vez de pedir que você confie na memória dele.

Por quanto tempo isso fica. Nesta fase, nada disso é apagado automaticamente. O registro curto do grupo autorizado expira sozinho; os eventos de trabalho, não — ficam enquanto a organização existir. Retirar a declaração de um grupo da empresa para a captura na hora, mas não apaga o que já foi capturado; para apagar de verdade, o caminho é a exclusão descrita mais abaixo.

O que ele pode concluir sozinho

Por padrão, nada que seja ato do gerente: ele propõe e espera. Se — e só se — um gerente autorizar explicitamente, ele pode concluir três atos daquela equipe: aplicar a avaliação de ciclo que ele redigiu, assinar planos de trabalho de AI workers, e criar entregas e tarefas dentro de um plano de entregas que um humano assinou. Nunca assina plano de pessoa humana e nunca assina o plano de entregas.

Um ponto que merece estar claro antes de qualquer gerente ligar isso
a avaliação de ciclo inclui a de pessoas, não só a de AI workers. Autorizado esse ato, a nota e a justificativa que o Orion redigiu podem entrar na ficha de alguém da equipe sem que um humano clique. Quem foi avaliado é avisado, e a mensagem diz quem aplicou. Assinar plano de trabalho, esse sim, é só de AI worker: o de pessoa continua exigindo as duas assinaturas humanas.

Nada acontece de surpresa. Mesmo autorizado, ele avisa um dia antes da data em que vai concluir, e o aviso vai para os gerentes daquele time. Se o aviso não sair, o ato não acontece — é uma trava, não uma cortesia. Quando o ato é criar entregas dentro de um plano assinado, o aviso é nominal: enumera cada entrega e quantas tarefas vão nascer. Depois de agir, ele manda um recibo dizendo o que fez.

Quatro coisas jamais correm por aí, mesmo com tudo autorizado: dinheiro, contato com terceiros, desligar um worker e mudar a própria política de autonomia. E o que ele concluir fica registrado como feito por ele sob a autorização de quem concedeu — nunca como se você tivesse assinado. O detalhe de como ligar, ver e desligar está no capítulo de planos de trabalho e ciclos.

Sair e apagar seus dados

Em Orion → Excluir você apaga seu agente. O que acontece depois depende de você estar sozinho ou numa organização com outras pessoas.

Se você é a única pessoa da organização, a exclusão é ampla: agente, dados e registros de trabalho.

Se a organização tem outras pessoas, a exclusão é deliberadamente mais estreita. Os dados do Orion — conversas, memória, agente — são apagados. Os registros de trabalho no Y Managers (entregas, planos, ciclos, avaliações) permanecem, porque pertencem à organização, não a você: quem responde por eles é o empregador. Você vai ver isso dito explicitamente na tela, e não como letra miúda.

Para parar apenas as mensagens proativas — dicas de relacionamento, e-mails —, responda PARAR. Isso não apaga nada; só silencia.

O que não prometemos

  • Ele não é infalível contra conteúdo hostil. A retenção descrita acima limita o dano de uma instrução plantada em conteúdo externo; ela não elimina o risco. Nenhum produto de IA no mercado elimina.
  • Ele não inventa por desenho, mas modelos erram. Ele é instruído a consultar as fontes vivas e a dizer que não sabe em vez de estimar. Quando o dado importa — número, data, valor —, confira na tela.
  • A retenção não cobre a voz, como está dito acima.

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